20 de mai. de 2010

Posse dos membros voluntários na ALT




Em um dia inusitado: sexta feira, dia 7 de maio, às 15 hs, realizou-se na sede de nossa Academia de Letras de Taguatinga (ALT), a reunião que deu posse aos novos membros voluntários colaboradores. Esta é uma das categorias para pertencer ao quadro de membros da ALT, dentre: Titulares, Beneméritos, Honorários, Correspondentes e Mantenedores.
Cada novo membro chega a esta instancia indicado por algum membro titular.
Foram empossados os escritores:
Maria Félix Fontelle, Pedro Gomes, Gabriel Fassio, Fernando Gurgel e Raúl Larrosa.
Vibrações muito boas tomaram conta do coletivo, o espirito dos recém chegados contagiou a todos, para ilustrar, uma anedota: já no final da reunião se apresentou o informe das dificuldades para a realização do Sarau do Dia das Mães, a Administração Regional não emprestaria o som e Donato Epifanio, nosso anjo salva-vidas, nestas situações, por questões de saúde, não teria condições de fazer o fechamento musical. A solução foi espontânea: ali mesmo arrecadou-se R$ 200,00, que serviram para alugar o som e pagar o cachê de Máximo Mansur, o artista que fechou dito Sarau.
Tivemos mais gestos de solidariedade com nossa ALT: Pedro Gomes sacou um cheque e pagou uma prestação do Data Show recém comprado, Fernando Gurguel doou um mouser para nosso computador, Gabriel Fassio se dispôs a revisar os boletins/jornais e sua esposa, a doutora Erika Carvalho, esta trabalhando para por no ar, o novo site (www.academiadeletras.com) Raúl já presta serviços na sede e ajudou na elaboração deste boletim. María Félix sempre acompanha seu esposo Gustavo Dourado nas reuniões da ALT, agora sera como membro efetivo.
Certamente se respiram “ares” de otimismo em nossa querida ALT, pela frente, vários projetos que darão destaque à nossa entidade. Bem-vindos aos novos companheiros, em boa hora sua chegada.

Visita à Faculdade IESA



A ALT foi convidada à participar da Semana Acadêmica de Letras, Historia e Pedagogia do Instituto de Ensino Superior de Educação de Samambaia.
A presença dos escritores junto aos alunos foi cheia de interatividade e de um fluido de alta emotividade.
O objetivo era ajudar a desmistificar a figura dos escritores; eles estão vivos, não são ricos e famosos e moram perto.
Na segunda feira, 3 de maio, Ronaldo Mousinho, Gacy Simas, Donzilio Luiz e Raúl Ernesto Larrosa, apresentaram a ALT de maneira dinâmica, sua trajetória, os projetos e a relação com a comunidade do DF.
Terminaram com um divertido coquetel de poesias, contos e cordel.
O sucesso juntos aos alunos foi absoluto, no meso dia agendaram o retorno para mesma semana, sexta feira, 7 de maio, encerramento da Semana Acadêmica.
Alunos surpreenderam com suas intervenções: Dorisman Guimarães mostrou seu primeiro livro, e leu alguns poemas dele.
Duas professoras também mostraram seus trabalhos. A professora Juliana Ferreira Alves, mestre em linguística fez uma intervenção poética e a professora Renata Romero Ferraz, mestre em literatura, leu uma poesia que escreveu, inspirada num cordel do acadêmico Donzilio Luiz.
Durante toda a semana os livros de acadêmicos estiveram em exposição para venda.

12 de mai. de 2010

Palestra- Sedução e Comportamento


Para intensificar a parceria entre a Academia de Letras de Taguatinga e o Sindicato dos Escritores do DF, em prol da cultura, os escritores Gacy Simas e Raúl Ernesto Larrosa, organizam com o apoio da Biblioteca Nacional de Brasília, palestras mensais, gratuita, abertas à comunidade. A primeira será dia 13 de maio, às 19hs30.


Os palestrantes serão:

Gacy Simas - escritora,professora formada em Filosofia, pertence a

Academia de Letras de Taguatinga e Sindicato dos escritores do DF


Elias Daher - escritor, Economista e Analista de Sistemas, presidente do

Sindicado dos Escritores do DF.


Com tema: SEDUÇÃO e COMPORTAMENTO - Diferenças e Afinidades: como viver com elas.


Local: Auditório da Biblioteca Nacional, 2° andar


Release:

A palestra aborda a sedução como ferramenta para interagir, seja no primeiro contato, ou como tempero de relacionamentos estáveis. Longe de ser uma estratégia de convencimento, a sedução está mais próxima da sinceridade, do que é natural e simples.O mundo moderno evoluiu seus meios de comunicação, mas temos uma crise de conteúdo. Os encontros românticos não foram favorecidos pelas facilidades de celulares e internet.Por que algumas pessoas conseguem atrair mais, ou desenvolver relacionamentos mais sadios com as pessoas?A sedução sob os dois pontos de vista: masculino e feminino

3 de mai. de 2010

Homanagem a Brasília


Nossa querida Academia de Letras de Taguatinga organizou sua homenagem ao cinquentenário de Brasília, no último dia 30 de abril.
O evento realizado durante os períodos vespertino e noturno, contou com a presença dos alunos do Centro de Ensino Médio- EIT, que lotaram o auditório do Teatro da Praça, em Taguatinga.
A programação iniciou com o depoimento do pioneiro: Antônio Britto de Oliveira, que narrou desde sua chegada em Brasília até os dias atuais, passando pelas dificuldades e curiosidades da construção da cidade.
Acompanhamos a palestra do presidente da ALT, prof. Ronaldo Mousinho, que fez um histórico da literatura no DF.
A noite foi a vez do pioneiro Adirson de Vasconcelos (foto) dar seu testemunho, e da acadêmica Margarida Drumond contribuir com uma exposição de fotos, da cidade.
Para o encerramento das atividades deste dia, compartilhamos um espetáculos musical a cargo de dois violeiros: Chico Ivo e João Neto, finalizando com um coquetel para lançar oito títulos com o carimbo do Tributo ao Cinquentenário de Brasília:
- Gustavo Dourado - Brasília 5.0 - Antologia de Cordel.
- Donato Epifânio de Oliveira - S.O.S Brasil, Reforma, ensaio.
- Adison do Amaral - Os Trovadores - Síntese Histórica da imortal Lírica Trovadoresca.
- Pedro Gomes: O Preço de um Ideal, romance.
- Astrogildo Miag: Lampião, governador de Brasília, romance.
- Aydson de Oliveira: Tempo de Soniar, poesia.
- Margarida Drumond: Tempo de Saudade, romance, 2ª edição.
- Pedro Paulo Braga: Ditos, ditados e dizeres, UBE/Scortecci, 2009.

18 de abr. de 2010

Do poeta Gustavo Dourado e seu novo livro: Brasília 5.0


Academia Taguatinguense de Letras:

23 anos de História...
51 anos de Taguatinga:
Arte em sua trajetória...
Poesia, prosa, romance:
Literatura de glória...

ATL...Casa de Cultura:
Hélio Soares Pereira...
Leão Sombra do Norte Fontes:
Adalberto Duarte de Oliveira...
Ildebrando David de Souza:
Poeta Gilvan José Vieira...

Donato, Tenório, Sampaio:
Hilda...Divina...Admário...
Isaías Alves Passos:
Aglaia no imaginário...
Francisco Bento...Abel:
Taguá no vocabulário...

Brito, Diniz, Astrogildo:
Tenório...(+)Joanyr de Oliveira...
(+)João Fernandes e Orlando:
Zamor, Benedito, Tavieira...
Academia de Letras de Taguatinga:
Flui Literatura Brasileira...

Antônio Garcia Muralha:
Augusto dos Anjos na glosa...
Taguatinga faz História:
Viver é Verso, o resto é prosa ...
Castro Alves na Poesia:
Graciliano, Machado, Rosa...

José Ferreira Simões:
Geraldo Eustáquio Pereira...
Olímpio Pereira Neto:
O Basta de André Ferreira...
Margarida Drumond de Assis:
Poeta Raimundo Sobreira ...

Oldina, Aurora, Gacy, Popó:
Mário Luiz Juvenal...
Luiz Gonzaga, Argemiro:
Newton Rossi musical...
Divina Maria Corrêa:
Leitura é fundamental...

Olímpio Pereira Neto:
José da Silva Brandão...
Henrique do Cerro Azul:
Poesia de Cosmovisão...
Sarau Poético Musical:
Taguatinga em profusão...

Abdon e Ildefonso:
Elisete...Emanuel...
Manzolilo...Izemar:
Amargedom no Cordel...
José Adirson Vasconcelos:
A História no papel...

Wílon Wander Lopes:
Nosso Cidadão de Ouro...
Jornalista...Empreendedor:
Brilha desde o nascedouro...
Em Taguatinga e Brasília:
Seu nome é um tesouro...

Nara do Nascimento e Silva:
Taguatinga em poesia...
Vento, árvores e pombas:
Praças, ruas, fantasia...
Rapadura literária:
No chá da Academia...

Recordo Chateaubriand:
A Imprensa não se cala...
Mas calaram muita gente:
Com rifle, fuzil e bala...
Sou Gustavo Dourado:
O poeta que vos fala...

24 de mar. de 2010

Boteco novo!!!

Uma notícia me surpreendeu naquela manhã, o jornal contava que após 1931 anos, reabria um “termopólio” na cidade de Pompeia (Itália).
Minha alma de jornalista irrequieto me levou à uma viagem imaginaria, na investigação do tal evento.
Primeiro, quero dizer que termopólio era a denominação, que no antigo Império Romano, recebiam as tabernas.
Foi no ano 79 de nossa era que o Vesúvio, sem aviso prévio, entrou em erupção, dali fugiram desesperados os clientes, o dono e os funcionários.
Assim que cheguei, fui recebido pelo dono: - “Mudou o proprietário?” perguntei.
- “Não, sou o mesmo, meu nome é Vetutius Placidus, fui obrigado a reabrir o bar, não da para viver hoje em dia com uma aposentadoria miserável.” comentou.
Os garçons trabalhavam limpando umas teias de aranhas e repondo o gelo, que tinha derretido.
- “A freguesia mudou muito?” quis saber.
- “Alguns são os mesmos, um pouco acabadinhos é verdade, mais quero aproveitar sua presença, senhor jornalista, para fazer um apelo à alguns clientes que fugiram na noite do 24 de agosto de 79 DC. Eles foram sem pagar, com justo motivo reconheço, mais agora que reabrimos, serão bem-vindos e poderão dispor de seu credito, após acertarem suas contas”.
- “ E qual é o menu para esta esperada reinauguração?”
- “O mesmo da última ceia: Queijo ao forno com mel. Conseguimos até aproveitar um pouquinho do mel, que havia no depósito, mais o queijo... estragou mesmo, tivemos que reabastecer”.
- “Pensa fazer alguma mudança, para se adaptar aos novos tempos?”
- “Não. Apenas mudamos o nome para MacPlacidus. Quer beber alguma coisa? É por conta da casa.”
- “Tem whisky? Perguntei.
- “O nosso é o melhor da cidade... muito antigo”

16 de mar. de 2010

Novo governo no Uruguai

Acabamos de retornar de uma temporada no Uruguai, entre muitas coisas que vimos e participamos, a mudança de governo foi histórica. O primeiro governo frenteamplista (coligação de esquerda) terminou rotulado por expertos como: o mais produtivo da historia do pais e seu presidente findou o mandato com mais de 60% de aprovação, algo incomum na historia moderna do Uruguai.
Entre os logros que obteve o governo anterior, do ex presidente Tabaré Vázquez, (medico oncólogo), alguns são dignos de contar pelo seu sentido histórico, ele transformou o pais, no primeiro da América, em se ver livre da fumaça do tabaco, sua luta sem quartel contra as tabacarias, desde o primeiro momento rendeu reconhecimento internacional, também, seu plano de inclusão digital, que fornece a cada aluno e professor do ciclo básico, um computador portátil, seguindo agora com os de ensino médio.
Essas duas façanhas bastariam para ser lembrado como um grande governante mas também foi responsável pelo índice de desemprego e a pobreza terem diminuído. O numero de benefícios da Previdência disparou e saiu do vermelho, produto do aumento da formalidade. A instalação no pais de uma fabrica de celulosa trouxe ganhos econômicos e problemas insolúveis com os vizinhos da província de Entre Rios (Arg).
Com dados tão favoráveis, era previsível que a coligação progressista mantivesse o governo e a maioria nas duas Câmeras do Parlamento, ainda que para isso tenha ocorrido uma segunda volta nas eleições de outubro de 2009.
O novo governo que assume a diferença do anterior, que tinha uma postura de suma discrição, está encabeçado por uma figura popular e mediática. Por vários anos realizou um programa de rádio, dali manteve um contínuo diálogo com seus seguidores que se somaram ao longo do tempo nos múltiplos encontros (chimarrão mediante) chamados de “mateadas”. Ele é “Pepe” Mujica.
Ele está acompanhado por sua esposa, a Senadora mais votada, Lucía Topolanski, que juntos na década dos anos sessenta tomaram as armas, somaram-se a guerrilha que tentou derrotar governos alinhados com Washington(EUA), isto custou para eles, muitos anos de cárcere com todo o sofrimento que acarreta.
Dentro da coligação governista a aliança vencedora supõe-se mas a esquerda que a dos Socialistas que dominaram o qüinquênio anterior, os Tupamaros e Comunistas deterão a maior parcela de poder.
O novo presidente determinou os principais objetivos em que o governo trabalhará: educação, diversificação da matriz energética, meio-ambiente e segurança pública.
A conciliação e o dialogo parecem ser as principais qualidades do popular “Pepe”, prova disto foi sua locução ao assumir quando mudou a frase tradicional da esquerda de: “Patria para todos o para nadie” por: “Patria para todos y con todos”.

8 de dez. de 2009

Gacy Simas e Sônia Castro



Exposição Cultural da AMMA no Bloco B - Esplanada


A Associação dos Trabalhadores do Ministério do Meio Ambiente - AMMA está realizando sua primeira Expo Cultural, em parceria com o CID Ambiental. Depois de duas semanas em frente ao Centro de Informação e Documentação Ambiental no prédio do MMA na 505 norte, no Edifício Marie Prendi Cruz, a Expo Cultural estará esta semana e na próxima, de 8 a 15 de dezembro, no espaço de entrada do Bloco B, Esplanada dos Ministérios. A Exposição tem por objetivo promover junto aos servidores públicos federais, o incentivo à leitura e o contato com autores de livros. Durante a exposição, os servidores poderão encomendar obras literárias e científicas com os promotores do evento. As obras expostas terão descontos de até 15% para servidores.



Durante os dias de exposição alguns autores de livros estarão presente, como a Sônia Castro, jornalista e professora universitária do estado de São Paulo. apresentando o livro infantil:Por que crescer? E também Gacy Simas, carioca e professora de Filosofia, representando a Academia Taguatinguense de Letras, vai autografar suas obras na quarta-feira a partir das 16 horas. A Exposição Cultural de incentivo à leitura, para os servidores do AMMA, ficará aberta até sexta-feira desta semana das 9h30 à 18:30.

23 de nov. de 2009

28ª Feira do Livro de Brasília

No estande da ALT e SEDF, as escritoras
Madellom, Gacy Simas e Gilma L Batista.

Finalmente começou a 28ª Feira do Livro de Brasília. Após tantos intempérie, o eventos cultural mais esperado pelos escritores e pelas escolas, de Brasília, iniciou dia 20/11 e irá até dia 29/11/2009. Os homenageados desse ano são: o escritor, cartunista e apresentador de TV Ziraldo, e o patrono é o poeta e jornalista Reynaldo Jardim, que viveu em Brasília.

Cigana

Chamam-me
cigana,
Não pelo nascimento
mas pelo espírito que guardo
no fundo do peito.

Reconheço-me
gitana,
quando leio a sorte
não pelas mãos,
mas pelo olhar
mesmo que não seja aberto e franco.

Não posso evitar
mas posso não falar...

Cantam-me cigana,
aos quatro ventos da terra
que se unem em ondas ao centro.

Danço
com meus lenços finos de seda
e todas as cores do paraíso
respondem.

Anseiam
para a cigana que há em mim
ressurja
lute
sobreviva.

Aborto






Em cima do papel
palavras bailam
ajustam-se intimamente
umas das outras...

Constroem questionamentos
respostas
compõem eternas frases de amor
e inevitáveis despedidas


Da mente jorram
lindas
límpidas e formosas
frases inteligentes.

Diante do papel ...
Há dias em que
todas estas
maravilhosas palavras se calam
emburrecem
perdem o viço.

19 de nov. de 2009

Palestra no CEF 04 - Ceilândia









O Centro de Ensino Fundamental 04, da Ceilândia, trabalhou com um projeto cujo tema era: Amor, em suas turmas de 6ª e 8ª séries. Para compor este trabalho, foi utilizado o livro “Conversa sobre o Amor”, da escritora Gacy Simas. Ao final das atividades, nos dias 18 e 19/11, a escritora foi convidada para apresentar uma palestra sobre o tema. A participação empolgada dos alunos, com o tema trabalhado e a aceitação do livro, surpreendeu a escritora, que aproveitou a oportunidade para autografar os livros adquirido pelos presentes.
Como é habitual para a escritora, foi doado um kit de exemplares para enriquecer o acervo da biblioteca da escola.



Evento no Colégio Cor Jesu -

No último dia 30/10, aconteceu a Feira Cultural do IASCJ – Colégio Cor Jesu, localizado nas 615 Sul. Diversas atividades foram apresentadas entre as quais contação de histórias e entrevistas com renomados escritores da cidade. A escritora Gacy Simas foi uma das convidadas, pois os alunos trabalharam um de seus livros infantis: A Dona Aranha e a Fadinha. Durante o trabalho feito em sala de aulas, com os livros da escritora, os alunos tiveram a oportunidade de escrever cartas para a autora, que foram respondidas individualmente. A receptividade ao trabalho executado foi excelente.


16 de out. de 2009

Se a poesia morrer

O sol
ainda brilhará?
A lua
encantará?
No mar
ainda haverá ondas?


Se a poesia morrer

Quem abrirá as portas
dos sonhos?
Ainda terão perfume
as flores?
Os anjos da tarde
cruzarão o arco-íris?


Se a poesia morrer

Os lábios deixarão
beijos açucarados?
Os braços alcançarão
a eternidade?
A aurora romperá
a madrugada fria?


A poesia está pendurada
por um fio
no coração do homem.

18 de set. de 2009

Bienal - Rio de Janeiro 2009

No fim de semana passado, viajamos de Brasília rumo ao Rio, para participar da Bienal do Livro 2009.


Saindo do clima desértico do Planalto, o que mais nos seduzia era respirar, novamente, o ar com cheiro de mar. Ao chegarmos na rodoviária de Rio, quase morri, ao sentir o aroma fétido do cais, era insuportável. Se Rio quer sediar uma Olimpíada, uma das exigências imprescindíveis é despoluir a Bahia de Guanabara. Imagino que, dentre tantos motivos que possam ser usados como demérito, um deles seja esta poluição a céu aberto, no coração da Cidade Maravilhosa.



O grande evento da literatura, tem a gestão de uma empresa que de negócios entende muito, mais seu compromisso com a cultura e a literatura são puramente comercial.




O ingresso para o publico custa R$ 12,00, os estudantes pagam a metade e o estacionamento custa o mesmo que o ingresso inteiro, ou seja, mais R$ 12,00.




Pudemos ver que a Bienal é a expressão máxima do mercantilismo e o consumismo editorial.


O acesso a Cultura e a Literatura para o povo, não é uma prioridade, vender e lucrar é a premissa por aqui.


O tempo nos recebeu com uma garoa, neste pais dos contrastes, onde no nordeste a seca estorrica a terra, no sul as enchentes infernizam a vida, podemos constatar que os contrastes no param por aí.


A noite comodamente instalados na casa da nossa amiga Bianca,que fica no bairro da Taquara, companheira de escola da Gacy (há 30 anos que não se viam, mais uma constatação de que o tempo passa muito rápido...), escutei o som mais característico desta cidade, que eu já tinha esquecido: as rajadas de disparos de armas automáticas. Bem vindo ao Rio!


Os jornais todos dão grande destaque ao acordo militar Brasil-França, nele se acorda a compra de um grande número de aviões de guerra franceses, e a construção conjunta de 5 submarinos nucleares, com transferência de tecnologia. Este intercambio de inteligencia e logística militar é comemorado por Lula, como uma grande vitoria, já no final de seu segundo mandato, posicionando o país entre as seis potencias que dominam o ciclo nuclear.


Os reatores nucleares serão construídos por Brasil (nenhum pais faz transferência de tecnologia nuclear), o país pode construir seus próprios geradores a partir de um, que foi contrabandeado pela Marinha, desde Alemanha, dentro de um carregamento de batatas (segundo depoimento do Ministro Nelson Jovim, no Senado).


Dias atrás, no feriado do 7 de Setembro, assistimos em Brasília, uma demostração do poderio aéreo militar, tendo como convidado de honra o presidente da França, só faltaram mesmo os submarinos, por questões obvias.


Assim a corrida armamentista na região se torna um problema, que no futuro não vai trazer felicidade aos povos do continente, assim como o Brasil, a Colômbia, Venezuela e Chile têm incrementado de maneira absurda seus arsenais.


Como podem ver, numa das regiões de pior distribuição de riquezas, não faltam recursos para material Bélico, já o estudante que quiser entrar na Bienal terá que desembolsar quase 3 dólares.


Será que isto tem alguma coisa a ver com a violência nas escolas? E no resto da sociedade? Tudo indica que as armas automáticas continuaram a ecoar na madrugada da Cidade Maravilhosa por muito tempo.


Ainda falando da Bienal, assistimos um interessante debate no Estande das Letras de Niterói com os escritores: Beth Stokler, Jorge Luiz da Silva e Anderson Fabiano, eles escrevem no site “Recanto das Letras”, escutando-os, concordo que as agruras dos escritores independentes é um tema recorrente em todo o país, creio que escolhemos a profissão errada: seria melhor ser piloto de Caça-bombardeiro!





Zilda Pires, Raúl Ernesto Larrosa, Gacy Simas, Nilde Barros Diuana, Neide Barros Rêgo, Walmir Ventura Rêgo e Edmo Rodrigues Lutterbach. (esquerda para direita)



Outro prazer foi conhecer a poetisa e declamadora Neide Barros Rêgo que dirige o Centro Cultural Maria Sabina de Niterói, também Delegada da Associação Universal de Esperanto, conhecida de muitos amigos esperantistas de Brasília.

Continuaremos desfrutando das novidades da Bienal e torcendo para que além das bem-aventuradas transferências de tecnologias, nossos governantes pensem seriamente na transferência de conhecimento e sabedoria para nosso povo, o futuro da humanidade depende dele. Mais livros menos balas é o caminho da sobrevivência da Especie Humana.

1 de set. de 2009

Festa na Embaixada do Uruguai






Como todos os 25 de agosto, a Embaixada do Uruguai abriu suas portas para comemorar a festa nacional.
Um pequeno grupo de compatriotas se reúne todos os anos, assim como a comunidade diplomática.
Este ano foi a segunda festa na gestão do Embaixador Carlos Amorin Tenconi, o grupo foi novamente reunido para um delicioso almoço. Felizmente e excepcionalmente para a época, este ano a natureza mandou chuva. O clima esteve muito ameno e ajudou a diminuir a sensação de estar em um deserto.
Desta vez, nosso tímido Embaixador, discursou em português e espanhol, e desfilou mais a vontade entre os convidados, como bom anfitrião.
As qualidades da carne e do vinho uruguaio ganharam elogios de todos os presentes.





O bom momento das relações entre os dois países foi tema recorrente nas conversas, com destaque para o escritório que o BNDS estará abrindo em Montevidéu, será o primeiro fora do Brasil tendo previsto para novembro abrir outro em Londres. Junto ao gigante financeiro, também volta ao mercado uruguaio, o Banco de Brasil.
O momento histórico de câmbios que se vive na região, mostra algumas rispidezes, com matizes variados, entre alguns países; entanto Chile, Bolívia e Peru, reeditam uma antiga rixa por territórios, que escapou a esfera diplomática instalando-se na sociedade e se retro-alimenta pela mídia.
Mais ao norte, Equador, Colômbia e Venezuela, disputam uma queda de braço, que envolve interesses múltiplos, como recursos naturais, corrida armamentista, intervenção norte-americana, disputas ideológicas e mais...
Uruguai apenas sofre algum “curto-circuito” com a Argentina; interesses econômicos, problemas ambientais e vaidades políticas, fomentaram uma crisis que terminará em breve com um falho da Corte da Haia.
Com Brasil, o atual governo uruguaio ficou alinhado desde o primeiro momento, aceitando a liderança “Lula” no contexto regional.
Uruguai não tem motivos para reclamar todos os problemas que apareceram, como os bloqueios as exportações (arroz e lácteos). Estes se resolveram com uma rápida intervenção de Lula, que também permitirá solucionar a interconexão das redes de transmissão de energia, tão importante para nosso pequeno e dependente pais, na matéria energética.
O carisma do presidente brasileiro é reconhecido por todos, assim como os esforços que têm realizado pelo bom andamento das relações entre os países do continente, acabando com a balcanização imposta desde fora.
O prestigio que ele tem no exterior é proporcional às dificuldades que enfrenta no Brasil.






Para nós, foi a possibilidade de reencontrar conhecidos, compartilhar com os amigos de Abrace um momento agradável, e cobrar do Dr. Amorim, uma política mais inclusiva junto a comunidade de uruguaios no DF e entorno que é pequena e bem dispersa.

9 de ago. de 2009

Eleições na Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil




Como vocês sabem, eu sou uruguaio, por isso minhas preocupações vão além do Oiapoque e do Chuy, sonho com a “Pátria Grande” que sonharam Artigas, San Martin e Bolívar. Entendo que os problemas dos brasileiros são os problemas dos latino-americanos, como os problemas dos trabalhadores do Brasil se reproduzem pelo mundo.
Eu tinha duas questões para expor aqui, mais uma vou descartar, por que alguns companheiros melhor capacitados, já abordaram o assunto: o futuro dos sindicatos e a necessidade de ajudarem aos filiados a se reciclarem, adquirindo habilidades e conhecimentos.
Quero aprofundar mais sobre a outra questão.
Complementando algumas vozes que já se manifestaram na plenária, vozes de alerta pela situação que se vive em Honduras e preocupadas com os episódios que estão acontecendo no Senado brasileiro.
Nós da CTB temos que ter consciência do momento histórico que vivemos e de nossa importância, como formadora de opinião e mobilizadora de massas.
Se fizermos uma leitura do contexto político regional, veremos algumas situações recorrentes em paises como: Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai ou Brasil, onde a oposição é feita pelas empresas de comunicação, já que a oposição política não existe, após a chegada da crisis tem ficado sem discurso, sem idéias.
A grande bandeira que a CTB deve levantar com determinação é da Reforma Política. Todos estes fatos sobre Nepotismo, corrupção, são “café pequeno”, ações para desvirtuar a opinião pública, que acontecem pela ineficácia do Estado.
A Reforma Política é a batalha que ninguém quer encarar, os políticos fogem dela, como o Diabo foge da Cruz. Os Sindicatos olham para outro lado defendendo o “Status Quo”, a sociedade anestesiada, não enxerga a necessidade das reformas.
Este governo tem colocado um pouco mais de arroz e feijão no prato dos brasileiros, por isso eu o aplaudo, mais esta devendo, sobre a modernização do Estado e a democratização da sociedade.
Enquanto: o Legislativo tiver recursos para fazer “obras” em suas “chacrinhas”, eles não terão tempo para legislar, o Executivo governar por meio de Medidas Provisórias, dispensando a ação do Legislativo, e o Judiciário estiver sempre defendendo seus aliados “caixa alta”, o Estado não será nem democrático, tão pouco eficiente.
Por isso se impõe o debate da Reforma Política. Nossos estudantes e obreiros carecem de bandeiras éticas e progressistas, ao nosso povo falta paixão, despertá-la é a missão da CTB. Só com estas ferramentas, poderemos perpetuar a distribuição de riquezas e continuar na busca da qualidade de vida de nossa gente.


Esta foi nossa participação, no 2º Congresso da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, ele foi realizado na Sede do Sindicato de Policiais Federais, com representantes de dezoito Sindicatos.
Dois temas centrais foram tratados neste congresso: a defesa pelo Salário Mínimo Regional e a eleição da nova diretoria que foi eleita por aclamação.


30 de jul. de 2009

Urna 94


Dias atrais um amigo, o professor Carlos, convido-me para colaborar com um grupo que apresentaria uma Chapa de oposição num Sindicato dos Auxiliares de Educação (porteiros, vigias, arquivistas, estoquistas, secretarias, faxineiros, merendeiras etc).
Trata-se de uma categoria ameaçada de extinção no DF. È conhecida a disposição dos governantes modernos, pela terceirização e privatização, acho que o sonho da maioria deles é colocar um Mc Donald dentro de cada colégio.
Cheio de disposição comecei a escrever o jornal e os panfletos de propaganda que seria usado na campanha, estávamos com pouco tempo (três semanas no máximo).
O pouco tempo para trabalhar, fazia parte da estratégia da Situação, que marcou a eleição encima da hora, para atrapalhar a Oposição.
Os dirigentes que detêm o poder, controlam o Sindicato a trinta anos, acatam orientações de “Articulação” que é a principal corrente classista dentro da Cut, braço sindical que sustenta o PT e o governo.
Ante tamanho adversário as chances de vencer são remotas, isso tudo mundo sabe, mais a desconformidade de muita gente da Categoria, levou a que, rapidamente conformaram não apenas uma, mas duas chapas de oposição. A nossa era a “Chapa 2” apoiada pela CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Em poucos dias foram compostas as Chapas, com trinta membros, e começamos a buscar fiscais para a eleição, que se comporia com cento quatro urnas, vinte delas fixas e as restantes seriam itinerantes, ou seja, passariam por varias escolas para que os filiados pudessem votar, e passariam duas vezes, dois dias seguidos, uma vez pela manhã e outra pela tarde, assim, todos votariam. Cada equipe estaria integrada por um motorista, e um integrante de cada chapa, os presidentes de mesa se nomeariam de forma alternado correspondendo um a cada chapa.
Eram duas urnas, uma para votar na chapa da Diretoria e outra, para votar nos membros do Conselho Fiscal.
Assim fui ficando e participando de todo o processo (campanha, eleição e apuração).
Todo exercício democrático tem sua áurea mística e seu encanto popular, resultando um ótimo aprendizado em qualquer idade.
Numa reunião previa com os colaboradores, que trabalhariam para nossa Chapa, junto a uma centena de pessoas onde a metade estava participando por primeira vez de um processo eleitoral, deu para sentir das dificuldades que enfrentaríamos.
As eleições seriam na quarta e quinta feira, começando às oito horas, finalizando por volta das vinte horas.
Para integrar a Comissão Eleitoral vieram de outros Sindicatos, dirigentes experientes a fim de não permitir que nada escapasse ao controle da Comissão, esse intercambio é normal entre Sindicato que tem a mesma orientação e afinidade ideológica.
Na quarta feira acordei as cinco da manhã. Passavam das oito horas, quando as primeiras equipes foram constituídas e marcharam a recolher votos, primeiro as mais distantes, Zona Rural, Entorno, em seguida as áreas urbanas mais numerosas. Isto parecia uma estratégia da “Chapa 1” , pois disseram que se uma chapa da oposição não tiver os mesários para todas as Urnas, faltariam representantes da oposição, como todas as três chapas preencheram todas as vagas de mesários, isto não passo de um boato.
O começo da jornada foi carregado de muito nervosismo, tudo mundo querendo começar logo, apenas as dez e quarenta, fui designado para coordenar a Urna 94, que seria itinerante, passando por oito escolas de Taguatinga Norte.
O fato de coordenar a mesa era uma responsabilidade extra, pois quem conduz o processo é o presidente, que neste caso era eu. Faziam parte de minha equipe duas jovens senhoras muito amigáveis, representando as outras duas chapas, uma delas tinha experiência eleitoral, já que participo no ano anterior. O motorista era um jovem musico que conhecia a região, coisa muito importante tratando-se de Brasília, que é uma cidade onde as ruas não têm nome deixando qualquer visitante totalmente desorientado.
Toda a manhã transcorreu normalmente e às treze horas paramos para almoçar, cada um de nos recebeu dez reais para o almoço, o restante da ajuda (mais trinta reais) seria pago a noite, ao entregar a urna.




A segunda parte dessa primeira jornada eleitoral, não seria tão tranqüila, e a Urna 94 entraria para minha memória, veja porque.
Durante o almoço, varias chamadas telefônicas foram feitas, ao celular, de uma das companheiras, como apenas ela disponha de telefone, muitas pessoas começaram a ligar, pessoas ligada ao processo, das Chapas, da Camisão Eleitoral, do Sindicato querendo saber como estava transcorrendo o pleito, onde estávamos. Enfim todos. Ela não gostou de tanta perturbação na hora de comer e parou de atender.
Por remorso e obrigação, comecei a atender as ligações.
Falar ao telefone no meio do bife, foi desgostoso, durante a sobremesa, muito desconfortável, mais enquanto bebia um cafezinho e fumava um cigarro, na sombra de uma árvore, perdi a paciência, mandei esperar quem quer que fosse que estiver falando, Não poderia ser incomodado naquela hora, assim, o telefone foi desligado e a gente teve um pouco de sossego.
Foi no caminho para próxima escola, quando íamos retomar nosso labor que os problemas começaram.
Não achamos o caminho correto de uma escola que estava a duzentos metros e fomos parar três quilômetros de distancia, até hoje não consigo explicar tal “cochilo”.
Após retornar todo o caminho, e, finalmente encontrar a escola determinada em nosso roteiro, encontramos nos esperando, duas equipes: um da Chapa 1 e outra da Chapa 3. Todos estavam nervosos com nosso sumiço, preocupados com a demora e furiosos pelo telefone desligado.
No dia seguinte fiquei sabendo, que foi nessa hora que alguém ligou para uma diretora da Chapa 2 pedindo para entrar na justiça com uma impugnação para a eleição, o motivo: um argentino tinha sumido com a Urna 94 em Taguatinga.
A calunia de sumir com uma Urna não doeu tanto como ser considerado de argentino em tal circunstancia, com todo respeito aos “hermanos”, pois eu sou uruguaio.
Logo vi que os fiscais não estavam dispostos a facilitar nossa vida, em vários momentos naquela tarde eu tive que respirar fundo e contar até dez.
Uma senhora votou com o xérox da identidade, exigiram que fosse registrado em ata, coisa que menosprezei, (nossa orientação era facilitar a vida do votante). Duas colegas que votaram juntas, ficaram cochichando na hora de votar, nessa hora fui chamado a atenção por que o voto é secreto e eu como presidente da mesa não podia permitir tal desproposito.
Estes foram apenas alguns exemplos das pressões que sofremos. Minha paciência foi se encurtando as companheiras da mesa foram ficando estressadas pela marcação cerrada encima delas, como se elas tivessem que ser inimiga.
As urnas bastante usadas, mal conservadas vieram para complicar nossa tarefa, quando do nada, uma delas se abre, dentro do carro, ficamos olhando, todos os quatro para ela com um misto de medo e raiva. Com os fiscais das chapas por perto, não queria pensar se eles descobrissem que a Urna 94 sempre esteve aberta e sua chave nunca funcionou, é quase seguro, que terminava na Delegacia.
No final, na ultima escola após lavrar a ata e lacrar a urna com adesivos e fita, sendo tudo apreciado pelos fiscais e tudo mundo assinar, nos encaminhamos a base.
Nosso motorista contou que escutou uma conversa onde uma fiscal avisava que a Urna 94, estava cheia de problemas e suspeitava que o representante da sua Chapa não estava sendo parcial e combativo.
Com esse clima rarefeito, chegamos ao Clube que serviria como Sede da Eleição. CELACAP é um Clube bem brasiliense, cômodo, muito amplo, um dos seus vários grandes salões, era todo de vidro, onde ficariam as urnas, uma do lado da outra, dormindo até a apuração do dia seguinte. Um grupo de “homens de preto” garantiam a segurança, uma equipe de apoio executava o andamento do pleito, a isso agregue dez computadores novinhos, com seus respectivos digitadores, era uma estrutura imponente para um sindicato de 18.000 filiados onde só um terço votaria.
O final do primeiro dia foi cheio de nervosismo, os grupos estavam em pé de guerra, mais sem atos de violência, muito longe de eleições do passado, por mim vividas, onde o sangue corria (literalmente), esta eleição não tem a rixa direita /esquerda, tornando-a muito civilizada e pacata.

O segundo dia de eleição iniciou muito cedo, e logo começaram os problemas. A “Chapa 3” queria trocar todos seus delegados de mesa, a comisão reclamou que iria demorar, mais acabou tendo que aceitar resultado: as equipes seriam todas diferentes do dia anterior, eu só estava preocupado com o motorista, ele já tinha feito tudo o percurso no dia anterior e agora tinha que repetir, mas no sentido inverso, eu receava que nos perdêssemos novamente, por isso foi um alívio quando o vi na fila em meio a uma centena de carros.
Assim, com dois companheiros novos, um deles também musico, fez logo amizade com o motorista. Meu grupo estava na luta para buscar os votos da categoria, e com harmonia, coisa que eu queria muito, pois a jornada que teríamos que enfrentar seria longa.
O dia transcorreu muito mais tranquilo que o anterior, a oposição ainda com esperanças, tinha a percepção que a “Chapa 1” deveria ganhar.
Voltamos a todas as escolas do dia anterior, agora já conhecíamos o caminho e as pessoas, tudo foi mais ameno.
Como escritor, estou acostumado junto a minha esposa, também escritora, a visitar escolas, trabalhando com oficinas, fazendo palestras etc., sempre tratando com os Diretores, coordenadores pedagógicos e ser tratados com deferência, como representantes do sindicato, fomos tratados com indiferença e encaminhados à sala dos auxiliares, geralmente salas escondidas e mal iluminadas, essa é a realidade da categoria. Uma Classe onde todos ganham bem, a maioria deles chega ao trabalho em carros novos, ali encontramos vários analfabetos funcionais e muitos analfabetos digitais, inaceitável para uma categoria que trabalha com educação. Como podem ver, trabalho para o Sindicato não deve faltar.
Já eram dezoito horas quando empreendemos o regresso. O clima era de nervosismo e apreensão, a última urna chegou depois das vinte horas, somente às vinte e uma horas a Comissão Eleitoral começou uma reunião tensa, com a presença de dois advogados, gerou suspeitas. A Oposição também mandou uma advogada para acompanhar os debates que começaram a esquentar.
A Comissão tinha um problema: seu programa de computador para a apuração, não estava funcionando direito, já que não identificava os votos em separado (aqueles que votaram fora de sua jurisdição), isto admitia uma duplicidade de votos, o que não garantia a lisura do pleito.
A Comissão tinha medo que a eleição fosse impugnada, na Situação seu principal referente só foi habilitado por uma liminar que chegou na última reunião, na noite anterior as eleições.
A desconfiança era geral, logo após três horas de reunião, mais de quinhentas pessoas esperavam do lado de fora, iniciarem a apuração, mais Oposição e Situação, continuavam uma discussão interminável.
Passava da meia-noite dentro do salão, a decisão chegava ao final: suspenderam a apuração para o dia seguinte. Lá fora, o frio e o álcool, deixavam os ânimos bastante alterados, com ameaças de invasão, que a segurança ostensiva desencorajou.
Na madrugada se dispersou a multidão, mastigando sua decepção, e a equipe de apoio recomeçou a digitar os dados novamente, em um esforço exagerado, como querendo justificar um investimento desmesurado para o tamanho do pleito.
Já passava da meia-noite quando, se acordou que na manhã seguinte, a partir das dez horas, começariam a contar os votos, foi uma decisão difícil, a Oposição exigia transparência, a Situação ciente que ganharia, tinha o temor de “escorregar” e que a eleição fosse impugnada, para todos era necessário uma gestão limpa e transparente.
No terceiro dia consecutivo acordamos cedo e chegamos ao CELACAP, essa noite se realizaria uma festa ali, isto condicionava a entrega do clube limpo. No período da tarde, tendo em vista a contra partida da limpeza do ambiente, a apuração do Conselho Fiscal foi adiada para a semana seguinte (estávamos na sexta feira), todas as urnas do Conselho Fiscal foram entregue a uma empresa de segurança, que as guardou num Carro Forte.
Todo o processo de apuração correu normalmente com um breve intervalo para o almoço, às 16 horas se confirmava o que todos imaginavam: a Chapa 1, ganho por ampla margem (70 % dos votos).
O processo foi concluído na terça feira seguinte, com a apuração do Conselho Fiscal.
Os mais de 5.000 votos demoraram quase uma semana para serem apurados, um recorde.
Assim foi nosso exercício da democracia, é quase certo que me lembrarei desta eleição por muito tempo e, muitos, não esqueceram da Urna 94 que foi roubada por um argentino em Taguatinga Norte. Como esquecer?

12 de jul. de 2009

Milagres da lua



Em noite de lua plena
milagres
acontecem
desejos
realizam-se.

Sobre águas mansas
afogam-se
tristezas
ressurgem imponentes
esperanças.

Em noite de lua plena
homens uivam
enamorados
enfeitiçados
entregam-se ao ardor.

Em noite de lua plena
É certo que
algo acontecerá

neste mundo
no outro...
uniões serão feitas
de corpos
de almas...


Hoje é noite
de lua
plena
de magia

Queimam
paixões
saudades
anseios.